Minha primeira postagem no domínio novo não poderia ser mais especial. Hoje, eu recebi da minha queridíssima Leila Franca o convite para uma leitura em seu blog. Fiquei muito feliz porque, além de conhecer melhor essa mulher notável, eu estava entre 6 amigos escolhidos por ela para dar continuidade ao MEME do Lison. Também recebi convite dos amigos Edson Palma e J. Aparecido Vieira, o que me deixou bastante lisonjeada porque são duas pessoas por quem tenho grande admiração.
Ano após ano, a família se reúne aqui em casa no Natal. Meu tio Reinaldo adora contar minhas peripécias infantis. A mais apreciada é a de uma visita que ele, seus sogros e minha tia nos fizeram quando eu tinha 5 anos de idade. A canjica da minha mãe era considerada um néctar dos deuses. Quando todos terminaram de comer, eu fui recolhendo talheres e louças. O seu Otávio tinha deixado de lado um daqueles grãos amarelos. Dizem que eu coloquei a mão na cintura e disse: “Tio, tem que comer tudo porque agora o dinheiro já tá gastado”! Mas não se pode dizer que, prematuramente, eu tinha preocupações com as economias da família, pois, eu comecei a usar óculos com 3 anos de idade e toda semana eu perdia um par. Mamãe não entendia o sumiço, até o vizinho aparecer com dezenas deles, que eu arremessava sobre o muro da casa. A sorte é que não precisei mais de óculos quando completei 12 anos.
Aos 19 anos de idade, eu voltava dos treinos de xadrez e tiro olímpico. Quase chegando em casa, sofri uma tentativa de estupro. Enquanto a pessoa me ameaçava e começava a me despir violentamente, eu vi o meu pai na janela, certamente, bravo com o meu atraso. Eu não pude fazer nada, pois, estava com uma faca no pescoço. Antes que o elemento concluísse o crime, eu fui salva por uma moça que passava pelo local. Ao perceber a situação, ela acionou dois rapazes e o bandido fugiu. Pouco tempo antes, eu tive um aborto espontâneo, sem saber que estava grávida, durante uma separação conjugal. E pouco tempo depois, eu tive que lidar com uma série de assédios sexuais no trabalho. Ficou tudo lá no passado, já está tudo superado.
O meu pai era um bombeiro muito valente. Mas em casa era um alcoólatra opressor. Possuído pelo álcool, ele torturava a família. Mesmo assim eu tive uma adolescência, na medida do possível, normal. Comecei a trabalhar com 12 anos, namorei a partir dos 13, fui a shows a partir dos 14, estudei o máximo que pude, tudo contra a vontade do meu pai, inclusive os estudos. Fiz o possível para driblar a angustiante convivência com ele. Resolvi morar sozinha, alimentando a esperança de um dia ter uma relação saudável de pai e filha, nem que fosse na velhice. Mas ele morreu aos 58 anos e o entendimento que eu tanto sonhava se desfez em frustração. Dentro do meu coração não existe mais rancor, pelo contrário, eu consegui compreender e amar o meu pai, apesar dos pesares. Anos depois, eu fui entrevistar o comandante responsável pelo combate ao terrível incêndio da Vila Socó. Ele começou a descrever o heroísmo de um bombeiro. No decorrer da entrevista, eu fui surpreendida pelo fato de que esse herói era o meu pai.
A minha vida sempre teve trilha sonora, desde a escolha do meu nome, por causa da Cantiga por Luciana, até hoje. Eu cresci ouvindo serestas, meu pai tocava acordeon e violão e mamãe continua tocando piano e cantando. Meu irmão é percussionista, além de jornalista. Minha irmã estudou música na faculdade de teatro. A minha família inteira tem músicos de todos os gêneros e instrumentos musicais. Eu “arranhei” piano, flauta, violão e gaita de boca, além de cantar num festival de MPB. Na hora de cantar Mônica e Rosas, de Eduardo Nogueira, eu esqueci a letra. Pedi desculpas e, por solidariedade, a platéia me aplaudiu. Recomecei a apresentação e, apesar do meu deslize, ficamos na 6ª colocação. Meu lugar, definitivamente, não é no palco. Em contrapartida, eu tive sucesso trabalhando na produção de festivais de blues e rock, o que me realizou, principalmente, popularizando a gaita de boca na imprensa regional. Um homem muito especial chamado Nelson declarou-se apaixonado por mim. Mas eu só pude corresponder com a minha amizade. Músico, toda vez que ele me avistava na platéia, parava o show pra fazer uma declaração pública de amor. Quando eu fui morar no Rio de Janeiro, ele me telefonou. Estava internado, muito doente, e disse que precisava dizer mais uma vez que me amava. Eu fiquei dias dormindo mal, comendo mal, passando mal. Tempos depois, eu voltei para Santos e soube que ele estava se recuperando em casa. Achei melhor não o procurar, pensei ser melhor para ele não ter mais notícias minhas. Sobre o sentimento por
mim, ele desabafava com João, amigo dele de longa data. Não demorou muito, Nelson morreu e, por força dessa triste circunstância, eu e João nos conhecemos. Ficamos amigos, cada um na sua, o mundo girou e demorou 5 anos para começarmos a namorar. Não é exatamente um conto de fadas, mas somos felizes juntos. O nosso projeto de vida inclui morar no nordeste em médio prazo.
mim, ele desabafava com João, amigo dele de longa data. Não demorou muito, Nelson morreu e, por força dessa triste circunstância, eu e João nos conhecemos. Ficamos amigos, cada um na sua, o mundo girou e demorou 5 anos para começarmos a namorar. Não é exatamente um conto de fadas, mas somos felizes juntos. O nosso projeto de vida inclui morar no nordeste em médio prazo. Quando eu fiz 33 anos de idade, resolvi fazer uma discreta comemoração. Chamei uns amigos para tomar uma cerveja num boteco, levei bolo e umas tortas. De repente começou a aparecer um monte de gente, muita gente mesmo. Desde amigos de infância que eu nunca mais tive notícias, até gente que eu só conhecia da internet. Eu não sabia o que fazer com tantos presentes. O meu irmão tinha uma banda e rolou um som ao vivo. A festa cresceu tanto que alguns carros paravam na porta. As pessoas queriam saber que “balada” nova era aquela que estava “bombando”. Não foi uma festa surpresa, mas, a festa surpreendeu.
Agora é a minha vez de escolher 6 amigos para irem em frente. Mas é muito difícil escolher só 6, poxa!
Assis Azevedo
Carla Castro Maia
Edson Palma
Guaraci Celso Primo
Margareth Duval
Radi Lopes
Ai, gente! Não posso escolher mais uns 600?
Tá bom, vai!
REGRINHAS:
a) Vocês podem eleger até seis amigos (as) e repassarem o MEME;
b) Colocar o link dos blogs listados;
c) Avisar o (a) amigo (a) sobre a postagem;
Deixar um comentário no respectivo Blog.























