As forças ocultas da democracia

on domingo, 26 de setembro de 2010


O caso do vazamento das informações fiscais de filha e genro do candidato José Serra não passou de um acusa daqui, defende de lá, investiga acolá. A parte que não entendi foi: Qual o sigilo? Para que foi quebrado? O tucano tentou fazer o papel de pobre vítima indefesa. Colando ou não, afinal, o sigilo quebrado foi revelado?                      

E a Dilma nessa história toda? De repente ela até pode levar essa eleição no primeiro turno. Não se pode afirmar que vai confiscar as poupanças, mas, partindo do princípio que ela pega carona nos anais do Lula e não do Collor, apesar das alianças do PT, enfim, a política é uma caixinha de surpresas. 

Fato mesmo é que há 73 candidatos cadastrados no www.fichalimpa.org.br. Eu escolhi “Marinar”, mas, verdade seja dita, entre os presidenciáveis, somente Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL, não está fazendo da sua ficha algo obscuro.  Pois quem se baseia nas pesquisas há de dizer: E daí? Ele não vai ganhar mesmo. 

Número por número, exata é a realidade. Temos o direito de saber em quem vamos votar e o dever de eleger 513 deputados federais. Mas só 59 candidatos ao congresso liberaram as informações. A maioria prefere manter a sua ficha privada, digamos assim. A conta não bate e o eleitor tem nas mãos o poder. Pode confirmar a transparência da sacanagem, pode preferir apertar o branco, pode optar por digitar um fantasma para anular, pode escolher o risco de precisar corrigir na próxima eleição. A vantagem é não ser obrigado a contar pra ninguém. Porque o voto é secreto.

Já o “doutor” Paulo Maluf ser ficha absolutamente imunda, convenhamos, não é mistério. Ainda assim, ele teve a capacidade de afirmar em campanha que São Paulo sem Maluf seria como “carro sem estrada, circo sem palhaço, Buchecha sem Claudinho”, enfim, resumidamente isso. É pra rir ou pra chorar? Pergunto isso porque Paulo Salim Maluf é foragido da Interpol em mais de 180 países, mas, aqui no Brasil, ao invés de prenderem o ladrão foram decidir se ele poderia ser candidato ao cargo de deputado federal. 

É ou não é pra ficar tiririca da vida? Ops! Por falar em Tiririca, quais são os requisitos básicos para ser candidato? Será que as funções do cargo pretendido são informações confidenciais que só se descobre depois de eleito? E ainda tem candidata pedindo aos eleitores que votem com prazer! O meu suplício é ter relaxado e gozado a vida o suficiente para decidir em quem não votar. E só.

Micros processados de segunda

on segunda-feira, 13 de setembro de 2010


Eleições 2010: 

Vai votar no Tiririca? No KLB pra estadual? KLB pra federal? Na Mulher Pêra? No Netinho de Paula? Em algum jogador de futebol desempregado? Jogador aposentado? Na Simony (indicada pelo Maluf com um entusiasmo maior do que a própria cara de pau)? Então, por favor, aproveite que o voto é secreto e guarde só para você.                                                                                      


Fobias, síndrome do pânico e afins:


Sempre aparece alguém que sabe exatamente qual é o problema e como se resolve com total facilidade. Mas só quem tem não entende. Quando a gente sabe de verdade, é normal ter dúvidas.



Amor:

Eu precisei viver quase 40 anos de idade e ter alguns ex-namorados para descobrir, finalmente, que incompatibilidade de gênios não é meramente uma desculpa para um certeiro fim. Eu tenho recaídas, mas não duram tempo suficiente para pegar o telefone e tentar de novo. Basta eu esquecer quem e lembrar como. "Vivendo e aprendendo"...



Idade: 


Dizem que mulher não gosta de contar a idade ou sempre afirma ter menos, inclusive, bem menos. Eu tenho 38 e não penso duas vezes para dizer que sou quase quarentona. Sempre ouvi dizer que a vida começa aos 40 e adoro a idéia de mais um giro.

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O meu mundo girou. Devo confessar...

on sexta-feira, 10 de setembro de 2010


Certas coisas que vou contar aqui não são exemplos a serem seguidos, por isso, tirem as crianças da sala. Eu me formei em Contabilidade num colégio santista chamado Andradas. Eu não ouso conjugar o verbo estudar  porque seria força de expressão. Mas, ironicamente, eu exercitei bastante a contrapartida.                       

O pessoal repartia as tarefas, mais precisamente as minhas lições de casa. Enquanto a turma se encarregava dos meus balanços, ativos e passivos escolares, eu calculava os custos dos churrascos e desempenhava a minha atividade nata de "promoter estudantil". Eu também organizava jogos de futebol na praia. Sim, as meninas jogavam junto com os meninos. Eu devia ter ficado só na promoção do evento porque minha melhor habilidade futebolística era fazer gol contra. 

Eu também era boa em diplomacia, que não fazia parte da nossa grade curricular, porém, era extremamente importante. Cheguei a fazer um acordo de camaradagem com um professor. Sexta-feira era a melhor noite da balada. Ele não dava falta pra gente na sexta. Ninguém faltava na terça. E durante a tal aula de terça, a turma estudava dobrado, ou seja, o ativo era puxado. Ou seria o passivo? Enfim, o dever.  

Eu sei que para quem não estuda, não faz muita diferença perder aula, mas  vale relatar que eu  perdia porque viajava jogando xadrez.  Vamos combinar que esse esporte é mesmo coisa de “viajandão”, mas quando digo que eu viajava é literalmente mesmo. Eu vivia na estrada "vivendo e aprendendo a jogar”.  Tentando aprender. Eu estava na seleção de xadrez meramente por falta de outras “viajandonas”.

Por essas e outras, não posso deixar de notar que formação e seleção dependem mesmo é de disposição, nem sempre ordenada.  Mas, embora matemática não seja o meu forte, eu sou obrigada a reconhecer que a ordem dos fatores não altera o produto.

Não é só força de expressão dizer que o meu diploma foi quase como ganhar na loteria. Literalmente, o meu diploma foi no mínimo equivalente à cartela cheia de  um bingo.  Eu fiquei de recuperação em várias matérias. Resolvi estudar tudo em uma semana. Eu tinha um ex-namorado gente fina e um namorado lindo. Os dois, tanto o ex-ex quanto o ex-atual-da-época, eram geniais e super bem dotados de Q.I. . Eles me treinaram para eu me dar bem nas provas e isso funcionou em quase todas, quase...

Lembro vagamente da situação. Eu me desdobrei no balanço, o balanço contábil da avaliação, para responder 10 questões de múltipla escolha. Mas o meu balanço dava valores na casa dos mil e as opções da prova só tinham alternativas na casa dos cem. Então, eu apaguei todo o balanço, feito à lápis no verso da prova. Rabisquei bastante, apaguei mais, até ter certeza de que o professor não tinha como visualizar o absurdo. E respondi todas as questões na base do cara ou coroa. 

Eu fui escolhida para ser oradora na formatura, claro, eu falava pelos cotovelos. Pasmem: a liderança da campanha e o responsável pela minha expressiva votação foi o professor daquela disciplina de sexta. Eu era uma pessoa de palavra, afinal de contas, ninguém faltou mesmo na terça e todo mundo passou direto... menos eu! Na certeza de que eu era irrecuperável, pedi para escolherem outro orador e esperei a minha sentença, pois, certamente eu não me formaria. Eleito o meu substituto, uns 3 ou 4 dias antes da colação de grau, saiu o resultado final dos recuperandos. 

Jamais ganhei uma rifa, mas garanti o meu diploma com aquela prova da sorte. Eu não me lembro de outro xeque mate durante a minha carreira de enxadrista, ainda mais com tática e estratégia de dois gênios frustradas na minha santa ignorância em balancetes. 

A formatura foi belíssima! Acho que a festa  foi maravilhosa porque o axé  ainda não era uma febre para condenar o baile ao fim trágico de uma lambaeróbica. Ufa! Fui com um vestido curtíssimo e um salto altíssimo. Coisas da idade e de uma personalidade sapeca. Eu tinha um namorado parecido, fisicamente, com o ator Hugh Grant. Dançamos de Frank Sinatra a Rolling Stones e, obviamente, os hits dos anos 90.

Mas cara de pau tem limites e nunca tive coragem de ir buscar o registro no Conselho Regional de Contabilidade, apesar de ler no meu diploma que eu tinha habilitação plena. Guardei aquele documento para sempre e continuei trabalhando na prefeitura, pois, no concurso público o meu resultado foi legítimo. Se eu fosse depender do meu balanço para ganhar a vida, ih, eu dançaria legal. 

Depois dessa fase, eu vivi um bocado de coisas. O saldo sempre foi positivo. Recentemente, eu tive uma situação conflitante. Estava de alta médica, após 2 anos consecutivos de licença. Mas por uma questão de avaliação pericial duvidosa e mais um tanto de aborrecimentos, o ideal era retomar o trabalho em outro lugar. A transferência foi uma luta demorada e exaustiva. Eu busquei diversas alternativas que não deram certo. 

Quando eu já não via mais saída, a solução apareceu e bingo! Meu novo local de trabalho é a minha velha escola dos Andradas. Sinceramente, eu acredito que seja o presságio de muito mais alegrias na vida. Devo confessar que para a felicidade eu estou sempre de malas prontas. 

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To pagando!

on quarta-feira, 8 de setembro de 2010

ASILO NET                          

Eu sou cliente da empresa Net desde os primórdios da banda larga no Brasil, bem antes da "era skavurska". Quando ligo para solicitar um serviço, apesar de eu pagar rigorosamente em dia, eu tenho a impressão de que eles vão buscar o meu cadastro no arquivo morto. Ao contrário do que aponta a propaganda, o mundo não é dos Nets, não de todos.
Só os novos clientes têm benefícios e vantagens, porém, esses um dia também serão velhos consumidores e é aí que a banda toca em ritmo lento, pra não dizer marcha ré. É preciso habilidade de bailarino russo para conquistar um atendimento razoável. 

Para a Net, o conceito de fiel é quase uma oração distorcida, um "venha a nós" e pague em dia, “assim seja” e olhe lá. Todas as vezes que tento pedir qualquer coisa, uma informação que seja, eu esbarro no problema de ser cliente antiga. O meu plano é mais caro, menos veloz e não contempla nada a mais do que a sorte de ligar a TV ou acessar a internet e tudo estar funcionando. Caso contrário,  eu tomo um "skavurska" pela fuça!

O mais interessante é que o plano não existe mais, ou seja, eu existo, o plano não, a fatura chega, o resto é resto. Mas quando menciono a possibilidade de migrar para um que exista na atualidade, eu dou de cara com encargos extras inexplicáveis, jamais com uma promoção do “admirável mundo novo” dos Nets.

Parece que a empresa mega antenada acompanha a sociedade, essa que chama a terceira idade de melhor idade, porém, só dá espaço para o novo. Cabe ao cliente antigo pagar em dia, torcer para o controle remoto não pifar e aquietar-se no asilo net. Porque a concorrente, no caso, a Telefônica Speedy, nem atende ao telefone para receber quem queira ser novo em outro lugar.

 
APAGÃO DO BOM PAGADOR

Desde que a Companhia Paulista de Força e Luz instituiu o tal do CPFL Total, quem não tem a conta de luz cadastrada em débito automático está automaticamente convidado a participar de uma maratona. É a empresa proporcionando qualidade de vida através do esporte? Responsabilidade social! 

O fato é que a CPFL não aceita mais pagamento de contas em casas lotéricas e os bancos não aceitam mais o pagamento na boca do caixa. Os consumidores são obrigados a buscar um estabelecimento cadastrado no CPFL Total para quitar os seus débitos. Em Santos, cidade com 433.502 habitantes, 271 km² e quase 70 bairros, hoje há apenas 22 estabelecimentos cadastrados no website da CPFL. Não bastasse isso, a falta de planejamento da companhia é notória.

Cada conta de luz apresenta três endereços como opções para efetuar a quitação do encargo mensal. Só há dois probleminhas: Nem sempre esses endereços são próximos da residência do cliente e quase sempre esses estabelecimentos não estão mais recebendo os pagamentos. É preciso ter muita energia para correr atrás do dever de pagar a conta e o direito de não ficar no escuro. 


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Imagens:
  1. http://patocomfome.blogspot.com/2008_02_01_archive.html
  2. http://www.cpfl.com.br/

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