Em poucas palavras, muitas biografias

on quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Nasceu mulher, mas, com pênis. O imaginário alheio traçou o caminho natural: Virar homem. Pois, sensível, forte, mudou para permanecer espontaneamente o que nasceu.

Contrariando o norte, embarcou na viagem tragicômica do fingidor. Merda!                             

Viveu de tanto teimar. Morreu por excesso de princípios.

Não coube em minorias. Sentado, juntou-se aos milhões de semelhantes atravessando fronteiras de gozo.

Caiu do coletivo, visitou o singular e voou para a constelação.

Desafiou a lama e salvou na saliva até ouvir, chorando, o riso cheio de vida nova.

Trocou as esperanças verdes por consciência negra de resistência ao chumbo grosso.

Quando menino, enveredou por más companhias sob cruzadas de juízos caducos. Viveu anos debaixo de bala. Viveu todo o tempo a que deve ter vindo!

Leu tudo e alcançou com a palma da mão. Com tato, desfez nó cego e acelerou a ocupação do lugar-comum.

Despiu-se de bullying e saiu do closet vestido de feitiço. Abriu caminhos batendo a porta.

Em terra de cegos, o quatro-olhos esbanjou reinado. Visionário, virou magnata de um mundo novo.

Acima do peso, invadiu retas fashions e foi homenageada com curvas reverências.

Exótico, inserido na floresta, incluiu desbravar colônias navegando o digital. 

Estudou tarde, ousou vencer logo.

Faz-me rir!

on sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Humor do bom pode ser sacana. Ou não. Mas sempre apresenta o lado B das paradas. Até as licenças poéticas acenam um “ Beija eu” para sacanagens do bem. Eu tenho um amigo viciado em sabores artificiais. Tanto que quando consegue comprar morango ou tangerina sempre acha que a fruta de verdade veio com defeito. Po, Omar! Que ingenuidade! Toma aqui uma banana, bobinho! Se souber dar nó em pingo d´água, hummm, sai até um refresco, hein? Experimente cuspir um caroço qualquer no quintal e verá o verde amadurecer. 
                                                                                                            
Mesmo uma comédia infantil só é doce quando a gente sabe colher enquanto se diverte. Pegar um limão e fazer uma limonada, colocar o açúcar na medida certa, escolher humildade sem humilhação, tomar sátira como caipirinha, quente ou gelada... Rir do ácido, por vezes até do amargo, sofrer de um lado, gargalhar do outro... Se rir é o melhor remédio, nem sempre o sabor é abacaxi. Nem sempre o que arde cura e o que aperta segura, mas, convenhamos, um riso homérico liberta. Humor é efervescente, igual ao antídoto para azia. Recolhe do pesado, o leve. Devolve as asas. Acalma mais do que suco de maracujá concentrado.



 

Mas digerir irreverência tem contra-indicação. Não é recomendável para quem sofre sensação de queimação causada por gargalhadas alheias... Dessas que saem inesperadamente. “O menino pergunta: Pai, peido pesa? E o pai: Claro que não! E o filho: Ih, então me caguei!” Credo, que nojo? Que palavreado vulgar?

Pior do que veneno de Coringa? Ficção diverte! E vida? Rita Lee, com licença, pois não é que tudo, digerido, o herói e o dedo-duro, a ditadura e o oprimido, sua boca e seu loló, tudo vira bosta! A criança cresce e aprende a jogar as cacas no ventilador. Como aprende porcaria! Tudo bem, se é o papel do adulto, que seja! Se fosse criança, nascia sabendo e não aprendia. Mas também é coisa de gente grande expressar manobras hilárias e rir de piadas. 

O meu amigo Omar, que se acostumou com gostos de mentirinha, chora de rir até em fila de caixa eletrônico, mesmo se a grana não der para o supermercado. Seria tempo perdido chegar a vez e o saldo estar negativo. Mas se encontrou graça na fila, chegou mais perto do positivo, mesmo sem neutralizar o danoso. É quando ele cospe esperanças quaisquer sem confeitos, mas com efeito de super. 

É heróico morrer só de rir até quando tiver que ser! Mesmo que não haja o que comer para depois virar... Nossa, que forte! Depois dessa salada de frutas, o cheiro ficou insuportável aqui! Seriam gases lacrimogêneos? Que mmmm, digo, ingenuidade a minha, hein Omar? Eu volto depois.

Programa de quinta

on quinta-feira, 20 de janeiro de 2011



O Programa Quinta Categoria, da MTV, desembarcou no Rio de Janeiro e foi improvisar na praia. Paulinho Serra, Tatá Werneck e Rodrigo Capella contam com a participação do público e um convidado especial por semana. Hoje, às 22h30, nas areias do Leme, os humoristas recebem a atriz Camila Vaz.

Fotos: Gravação do programa que será exibido hoje. Crédito: MTV / Divulgação.
 

Cliques de solidariedade

on

Milhares de desabrigados e desalojados, vítimas da tragédia na região serrana do Rio de Janeiro, necessitam de ajuda.  


No blog Biboca Chic está a lista do que é mais urgente doar e postos de arrecadação em várias localidades. Quem é profissional de saúde e tem disponibilidade pode se apresentar para o trabalho voluntário através da ONG Viva Rio.                                                                  

Um blog reúne informações sobre os esforços do governo federal. Há formas virtuais de colaborar com donativos. Mesmo quem está fora do Brasil pode enviar facilmente, não só dinheiro, mas também produtos de limpeza, higiene pessoal e cestas básicas através de supermercado online

Também é possível ajudar participando de eventos ou comprando bilhete de raspadinha da Loterj. Quem vai viajar pode deixar seus donativos em praças de pedágio. Um passeio no shopping, uma ida ao GP de Stock Car, o que não falta é oportunidade para ser solidário. Quem gosta de compras coletivas pode contribuir em cardume: Conheça o Peixe do Bem, em parceria com Move Rio

Por fim, o visitante pode usar o espaço de comentários do blog Biboca Chic, que não é moderado, para informar postos de arrecadação em sua cidade, iniciativas de empresas solidárias, eventos engajados na campanha e tudo que possa ser útil para quem deseja ajudar as famílias fluminenses vítimas das enchentes.


Clique e participe multiplicando informações: 

De qualquer parte do mundo, até sem sair de casa, é possível ser solidário

Gentes x Gentes

on terça-feira, 11 de janeiro de 2011

No mês passado, a minha irmã ia entrando numa loja de conveniência, dentro de um posto de gasolina, quando viu um jovem sendo cruelmente agredido por um segurança. Ela não cruzou os braços como se isso não fosse problema nosso. Conseguiu apartar, chegou um taxista, a vítima foi socorrida no pronto socorro e tudo terminou na delegacia.                                         

No ano passado, o Brasil bateu um recorde triste e vergonhoso: O número de homossexuais assassinados no Brasil superou 250 casos. Em 2009, foram 198, segundo o Grupo Gay da Bahia. (GGB) Também assusta saber: Na década anterior, matava-se, em média, um homossexual a cada três dias. Nos últimos anos, essa média passou para um assassinato a cada um dia e meio. 

O rapaz socorrido por minha irmã é gay. Como ele não morreu, ficou de fora das estatísticas. Se continuarmos escrevendo essa História, talvez criem cotas para homossexuais nas universidades. Seria covardia de minha parte comentar que o agressor é negro? Poderia ser mais uma história de gente batendo em gente, claro! Mas o agressor gritava orgulhoso que era um negão surrando uma bichinha.

O que se sabe é que ódio é ódio e amor é amor em qualquer lugar do mundo. Possivelmente, a paz possa triunfar quando deixarmos de articular grandes vitórias em minorias. Podemos parar de pensar que somos todos irmãos e colocar isso em prática. Não há de ser mais difícil do que continuarmos lutando uns contra os outros e a favor de coisas.

Selo de qualidade

on domingo, 2 de janeiro de 2011


No fim do ano passado, nossa, faz tempo!!! Enfim, o blog Gostos e desgostos recebeu mais um selo para fechar o ano com chave de ouro. O mais saboroso é que o selo veio de dois blogueiros super poderosos:                                               

O ninja do Blogueiros do Brasil, o meu amigo Tiozão das batidas, também irresponsável pelo Boteco Móvel. Ops! E quem ainda não conhece o  link http://redesocial.blogueirosdobrasil.com/ não sabe o que está perdendo. É uma rede social e cooperativa, além de ser um divertido ponto de encontro de autores dos mais diversos blogs. O Tiozão criou e cuida de tudo com maestria. Um dia desses, eu vou entrevistar o Tiozão e postar por aqui. Vale a pena conhecer esse cara. É muito egoísmo de minha parte não partilhar com os amigos tudo que sei sobre esse figura. kkkkkkk...

E a belíssima Nathália Alves, professora de Inglês e formada em Letras, blogueira do irresistível  P.a.r.a.f.e.r.n.á.l.i.a, que me deixou muito lisonjeada com o comentário que fez ao indicar o Gostos e desgostos: http://paraffernallia.blogspot.com/2010/12/selo-de-qualidade.html
Aproveitem para conferir todos os blogs indicados.  É um ótimo passeio pela blogosfera.

Vindo desses dois, eu tenho motivos de sobra pra comemorar.  Mas o presente vem com duas missões: A ingrata é escolher somente 10 blogs entre tantos maravilhosos. A divertida  é contar 10 coisas sobre mim. Agradeço aos dois, Tiozão e Nathália, pela carinhosa indicação e aproveito para desejar muito mais sucesso a vocês.

Seguindo na missão, eu vou aproveitar o momento ano novo e seguir um roteiro meio reveillon, não necessariamente em ordem de importância: 

Amor: Eu já casei, mas não sei ao certo quantas vezes. Foram uniões do tipo sociedade alternativa. Por enquanto estou solteira, por enquanto. 

Dinheiro: Não tenho tudo que quero, mas amo o que sou. Fui criada por mamis para conjugar o verbo ser em todas os tempos e o ter só quando necessário.

Saúde: Sou meio "maluca, beleza"! "Enquanto estou viva e cheia de graça talvez ainda faça um monte de gente feliz". (Referências: Raul Seixas e Rita Lee).

Paz: Eu entendo templo e/ou igreja qualquer lugar cercado de natureza. Numa igreja, eu rezo automaticamente. Diante do mar, cachoeiras, flores, árvores, eu rezo naturalmente. 

Ritual: Sorrir. Eu estou num pós-operatório de uma cirurgia na boca e percebo que sorrir me faz muita falta.

Ceia: Antigamente, eu só conseguia comer meia fatia de pizza. Eu pesava 52 kg. Atualmente, o meu pecado capital é a gula e prefiro dizer só a minha altura: 1,68m.

Pirotecnia: Eu já usei artifícios para fingir fogos. E daí? Faz parte.

Meia-noite: É o marco zero do começar de novo. Eu adoro recomeços, mas não gosto muito de vale a pena ver de novo. Eu sou movida à boas novas que surgem das lições aprendidas.

Desejos: Ver o meu afilhado Guilherme e os meus sobrinhos Miguel e Clara sempre no caminho do bem, cheios de saúde e podendo viver num mundo melhor.

Planos: A novidade é que tenho duas sócias na Biboca Chic. O plano é investir, trabalhar muito e evoluir profissionalmente.   

    Agora é a minha vez de repassar o selo e as missões. Desejando muitas alegrias e cada vez mais sucesso, seguem os 10 blogs indicados para o selo de qualidade e seus respectivos autores:
    Herval Cândido: http://hervalfilho.com
    Eu posso listar mais uns 2011 blogs e blogueiros? Gente, eu sempre acho ingrato escolher só alguns! Sofro muito quando tenho que elaborar listas de indicados. Acho sempre injusto e sempre falta um monte de gente. Buááááááááááá...

    Agora vou para a última etapa do prêmio, que é avisar aos indicados o recebimento do selo. Beijos a todos e os meus mais sinceros agradecimentos ao Tiozão e  Nathália.

    O simples e o complexo

    on

    Antigamente, a pessoa ficava doente e procurava o médico, que perguntava: Onde dói? Com o passar do tempo, o corpo humano foi dividido em seções e o próprio paciente precisa se perguntar onde dói para descobrir qual médico consultar. Oftalmologista, ginecologista, dermatologista, cardiologista, endocrinologista, reumatologista, traumatologista, gerontologista, mastologista, num universo de “gistas”, é comum gente simples chegar ao balcão de uma policlínica e solicitar o ecologista.                                     

    Eu não estou inventando isso. Trabalhei no serviço público de saúde e atendi muita gente que, na dúvida, pedia consulta com o ecologista. A pergunta “onde dói” passou a ser elaborada também pelo atendente administrativo na incumbência de encaminhar a pessoa ao especialista correto.

    Em seguida, pergunta-se o nome do paciente para enviar a ficha ao doutor. Curiosamente, gente simples que vai ao ecologista quando fica doente, pode surpreender na complexidade do nome. Por exemplo: Na época que trabalhei em policlínica era comum uma fila inteira da pediatria formada por Ayrtons Sennas da Silva, mesmo que não fossem Silvas de pai e mãe. E Graces Kellys, sem dúvida, dignas princesinhas no palco da vida.

    Jamais vou esquecer o dia que conheci o belíssimo e 100% negro menino Hitler. Não resisti e perguntei aos pais o porquê do nome. Eles responderam simplesmente: Tem um som bonito, não tem, moça? Eu não falei, mas pensei: Adolfo tem uma sonoridade muito melhor. Santo Adolfo, alemão, cuidava de doentes e distribuía remédios aos pobres.

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